Quadrinhas da Existência

Quadrinhas da Existência

Esse meu ego,
Fincado como prego,
Já nem te nego,
Deixa que eu te pego!

Esse meu eu,
Pegado como breu,
Teu tempo prescreveu,
Sai desse apogeu!

Essa minha identidade,
Que quer perenidade,
Que anseia pela prioridade,
Não deixas saudade.

Mas me permites a vida,
Não apresse a tua ida,
Ainda não estou dissolvida,
Meu veículo, em contrapartida.

Decido que te acolho,
Sem soltar de todo o ferrolho,
Deixe as barbas de molho,
Que eu não vou pregar o olho.

Consciente de tua existência,
De tua grande prepotência,
De tua auto indulgência,
Vou diminuir tua influência.

Quedarás assim diminuto,
Não tornarás a dar fruto,
Não que de todo te refuto,
Mas já não és absoluto.

Há mais, além,
Do que ser alguém,
É ser uma nuvem
É estar de passagem.

É ser ora prosa, ora verso,
Ora também o anverso,
Em inteiro silêncio imerso,
Ser todo o universo.

Honin
04/10/2017

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