Monja Coen – Ano do Galo – Ano Buda 2583

Fonte: http://www.monjacoen.com.br/…Zendo_Jornal_58.pdf

Abriu-se uma pequenina pétala suave, fina, clara, delicada – é o ano novo. Não é mais o ano passado, nem é o ano futuro. É o ano presente, que nos é dado de presente: 365 dias para apreciarmos a vida. São quantas horas, quantos minutos, quantos segundos? Milhares, milhões.
Como átomos, prótons, elétrons, partículas, ondas. Tudo seu, tudo você e somos nós.
Você está apreciando este momento da sua existência? Jamais se repetirá. Não há bis. Apenas a improvisação consciente de cada instante.
A existência – de cada um, de cada uma de nós – é a existência de toda a vida. Ouça os pássaros e o som dos carros, motos, caminhões, helicópteros e aviões.
O Galo, Joan MiróA capacidade de ouvir é sagrada. Aprecie. Veja os inúmeros tons de verde dos bambus, das folhas, dos ciprestes, de todas as plantas e árvores que nos cercam, nos acolhem, nos protegem, nos respiram.
E os azuis do céu, de cinza a azul-escuro. Algumas vezes pintado de estrelas brilhantes, outras dourado pelo sol. As gotas de chuva e os arcos-íris.
Então observe os insetos, os pássaros, os mamíferos – de humanos a ratos.
Todos sagrados. Cada um manifesta o todo e o todo se manifesta em cada criatura.
Você aprecia sua vida? Veja, sinta, perceba, escute seus estados mentais.
Zazen é o portal principal. Penetre, adentre, reconheça sua casa, conheça todos os aposentos, redescubra, reconstrua, desconstrua. Renove. Faça o que tem de ser feito da melhor maneira.
Ação de transformação. Reclama? Inflama no fogo da purificação. Nada permanece o mesmo e, no entanto, não é outro.
Clamar de novo. O clamor do Darma – este, sim – sempre satisfaz. Nada falta. Nada excede. Assim como é. Nyoze, nyoze.
Havia uma árvore que virou barco que se tornou mesa, banco e depois foi queimada para aquecer, cozinhar, alimentar, dar vida. Vida sempre produz vida. Cinzas não voltam a ser brasa, mas retornam à santa terra imaculada e se misturam com restos de gente, de porcos, de peixes, de árvores, de agentes químicos, de ferro, de plástico. Misturando-se e virando pó, terra, que fertiliza a planta que alimenta a vida que retorna à terra para alimentar a vida.
Não há nascimento, não há morte. Esse o ensinamento supremo da Mahayana. Você percebe?
O ano novo se revela na pétala pequenina, suave, fina, clara, delicada desabrochando: perfume de jasmim. A fragrância só pode ser sentida por quem estiver desperta, atenta, presente. Não se ausente.
Sua vida neste instante é perfeita e completa. Viva.
Na morte, apenas morra e vá sem nunca ir a lugar algum. Sem nascer, sem morrer. Como pode ser? Interser.
Acorde, desperte. A música dos sinos reverbera as 108 badaladas do despertar, do ir além, do superar obstáculos e os transformar em portais de libertação. Ano novo, todas as possibilidades em aberto.
Faça seu compromisso com Buda – dentro e fora, em todas as direções e em todos os tempos. Comprometa-se com o Darma, a Lei Verdadeira, e renove seu compromisso com a Sanga de Buda – toda a vida da Terra, todos os seres.
Acorde, desperte, respire conscientemente e ofereça os méritos a todos os seres. Este será um Feliz Ano Novo se houver o seu completo e perfeito Despertar.
Venha se juntar a quem se entrega e confia nos Três Tesouros. A quem aceita a realidade como ela é, sendo a realidade e confiando na transformação incessante da qual você participa ativamente por meio de seus gestos, palavras e pensamentos.
Pense Buda. Seja um ser iluminado e faça jorrar a sabedoria perfeita sobre toda a Terra.
Mãos em prece,
Monja Coen

 

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