Três Venenos do Budismo

São três os venenos da nossa mente: raiva, ganância e ignorância.

Simbolizados pela serpente, pelo galo e pelo porco.
A serpente ataca sempre que se sente ameaçada. O galo cisca o dia todo, buscando, consumindo, tudo que bica. O porco não discerne entre seus dejetos e o alimento, ele ingere comida, fezes, água, urina, tudo para ele dá no mesmo.
Deles advém o sofrimento humano. A raiva é a aversão, a ganância é o apego, a ignorância é a falta de sabedoria que nos impede de ver a realidade como ela é.
Dessa ignorância da realidade vêm os outros primeiros, a raiva e a ganância, por não compreender corretamente a verdadeira natureza una, interligada e impermanente de todas as coisas, o todo que está em constante mutação, reinventando-se a cada segundo, sem nunca ganhar ou perder o que quer que seja.
Sem conhecer a realidade completamente, ora rejeitamos o que nos parece desgostoso, ora nos apegamos com aquilo que nos parece prazeroso, ambos de acordo com nossa opinião parcial, que parte do ponto de vista do ego como centro de tudo e enxerga o indivíduo e não o todo.
Raiva vem da frustração, que vem da sensação de impotência diante do fato que as coisas não são como queremos.
Ganância vem do desejo constante, que vem da insatisfação pelo fato que as coisas não são como queremos.
O universo e tudo que ele compete não existe para nos agradar.
A frustração e a insatisfação trabalham diferente em cada pessoa. Geram diferentes proporções de raiva e ganância, de acordo com a proporção de ignorância existente em cada ser.
Nesse contexto surgem dependências, de uma infinidade de coisas, e uma infinidade de características pessoais.
Quanto maior a dependência, maior o sofrimento.
Por isso fazemos zazen, a meditação zen budista. Para observar profundamente nossa mente e conhecer esses mecanismos que usamos para lidar com a vida, o mundo, os outros e nós mesmos.
Conhecer-se profundamente é a chave para a libertação do sofrimento e tudo que está atrelado a ele.
Cada pessoa tem suas construções internas e cada pessoa tem seu sofrimento, do seu jeito. Cada um descobrirá quais são suas fontes de sofrimento, e as raízes mais profundas que estão por trás dessas fontes de sofrimentos.
O zazen é um processo de longo prazo. Não basta meditar um pouco e pronto, tudo está resolvido. É uma prática que, para haver transformação, deve ser diária, constante, diligente. Deve contar com a ajuda de um Mestre que já tenha trilhado esse caminho e possa nos indicar a direção certa, orientar a prática em suas diferentes fases. O zazen requer que pertençamos à uma Sangha e pratiquemos com outros, para que aprendamos a lidar com os outros e com nós mesmos da forma correta, visto que o outro é espelho. Apesar de cada um ter seu processo e suas características, somos todos semelhantes. Ao compreender os outros, nos compreendemos também. E vice-versa. Da mesma forma, ao praticar com outros não ficamos apenas com nossos pontos de vista, mas vamos agregando o que vem dos outros, facilitando expandir o ponto de vista para uma visão coletiva. Assim, vamos exercitando o viver em paz, ao passo que vamos também praticando os três antídotos (mas isso já é uma outra história)!
🙂
Bom zazen!
Honin
Aproveite e confira o vídeo da Monja Coen sobre como lidar com os três venenos.

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Zazen, como fazer meditação Zen Budista

Zazen, a prática meditativa de Buda tem detalhes importantes. Como fazer o Zazen é ensinado em vários vídeos, que aqui estão, inclusive com explicação da Monja Coen e do site oficial da Soto Zen no Japão, a escola de Zen Budismo a qual a Roshi pertence.

Os benefícios da meditação Zen Budista são imensos e muito conhecidos. Neste post não vou entrar no mérito deles, mesmo porque não só não se deve praticar com expectativas, bem como é uma experiência indescritível, e para cada um é de uma forma, em um processo diferente. Porém nenhuma transformação virá se a prática não for diligente e regular, diária.

Eu trouxe um link de três vídeos que ensinam a fazer esta prática. Porém, no Zen não existe prática isolada, não temos como saber tudo e nos corrigirmos em tudo. Há detalhes e todo um universo do Zen que não se aprende em vídeos, embora ajudem muito.

Mas, só se avança na prática sob orientação de um Mestre ou Professor, e com a interação e convivência com outros praticantes.

Se nos mantivermos isolados ficamos apenas com nossas próprias opiniões e não há mudança, porque por mais que se estude sozinho, nosso ponto de vista e percepção são parciais e limitados.

Precisamos uns dos outros para ver a vida de várias formas diferentes, interagirmos uns com os defeitos dos outros, trocar sabedoria e compartilhar a prática. Só na diversidade é que aprendemos coisas novas.

No link abaixo há vídeos que ensinam a fazer Zazen. Aprenda para praticar melhor com o seu grupo! Se na sua cidade não tem, considere viajar pelo menos mensalmente até uma Sangha Zen Budista para praticar com outros.

E faça do Zazen uma prática diária, só frequentar a Sangha também não é suficiente para mergulharmos profundamente na prática, é o esforço da prática diária que nos dá uma prática profunda e transformadora.

Assim avançamos todos juntos, trazendo para a prática coletiva o crescimento que obteve na prática diária.

#zazen #zen #zenbudismo

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